Meia noite, chove, gente se abraça, troca lembrancinhas garantidas pelo 13º. Tanto clichê pra uma noite só. E as operadoras de telefonia celular facilitam a difusão de um outro ainda pior: mensagens melosas de gente que espera a tal "noite feliz" pra plagiar Mariah Carey - sem os gemidos em falsete - nas SMS curtas: "tudo o que eu quero de Natal é você". Tão ridículo pra mim. Jamais diria uma baboseira estúpida e brega dessas. Talvez porque não conseguisse mentir. A verdade é que te queria de presente o ano todo, te desembrulharia todas as noites e faria outras promessas metafóricas horrorosas pelo menos três vezes por semana.
Diria adeus a todos os anos velhos e viveria todos os anos novos contigo. Tiraria todas as suas fantasias, na avenida ou em qualquer lugar. Não teria medo dos meus aniversários e dos potes de Renew que eles trazem a cada vela que apago. Deturparia a "Sexta-Feira da Paixão" num trocadilho pra fechar a semana de uma forma nada santa. Curtiria a Páscoa numa boa, sem chocolates, mas saboreando a única delícia liberadora de endorfinas que não me engorda. Continuaria ignorando o Dia dos Namorados por mera implicância e por acreditar que poderia comemorar "você e eu" a qualquer dia, a qualquer hora, no meio do expediente ou de madrugada. Ok, me lembraria de rezar por Santo Antônio no dia 13, não sem antes resmungar por ter demorado tanto a me atender - esse careca continuaria de cabeça pra baixo lá em casa só por desaforo.
Comemoraria a minha independência que viraria morte se me sentisse sozinha de novo. Me aceitaria criança e dividiria meus "brinquedos" com você. Te daria doces e faria travessuras...
Não odiaria a folhinha, ímã na porta da geladeira. Tudo bem pra esse "tempo, tempo mano velho" que não para. Começaria tudo de novo, à meia noite, com chuva, gente se abraçando, trocando lembrancinhas garantidas pelo 13º . E daí pros clichês? Em meio a tanta mesmice que nunca se renova, eu adoraria repetir você.
Não odiaria a folhinha, ímã na porta da geladeira. Tudo bem pra esse "tempo, tempo mano velho" que não para. Começaria tudo de novo, à meia noite, com chuva, gente se abraçando, trocando lembrancinhas garantidas pelo 13º . E daí pros clichês? Em meio a tanta mesmice que nunca se renova, eu adoraria repetir você.

